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quarta-feira, 22 de julho de 2015

"Eu também! Os relacionamentos não têm nada a ver com poder.  Nunca!  E  um  modo  de evitar  a  vontade  de  exercer  poder  é
escolher  se  limitar  e  servir.  Os  humanos  costumam  fazer isso quando  cuidam  dos  enfermos,  quando  servem  os  idosos,  quando se relacionam com os pobres, quando amam os muito velhos e os muito novos, ou até mesmo quando se importam com aqueles que assumiram uma posição de poder sobre eles.
— Bem falado, Sarayu — disse Papai, com o rosto luzindo de orgulho.  —  Eu  cuido  dos  pratos depois.  Mas  primeiro  gostaria  de ter um tempo para as devoções.
Mack  teve  de  conter  um  risinho  diante  da  idéia  de  Deus fazendo  orações.  Imagens  de devoções  familiares  de  sua  infância vieram  se  derramar  em  seu  pensamento.  E  não  eram exatamente boas lembranças.
Com freqüência consistiam em um exercício tedioso de dar as respostas  certas,  ou  melhor,  as mesmas  velhas  respostas  às mesmas  velhas  perguntas  sobre  histórias  da  Bíblia  e  depois tentar ficar acordado durante as orações exaustivamente longas de seu  pai.  E,  quando  o  pai  tinha bebido,  as  orações  da  família sempre se tornavam um terrível campo minado, onde
qualquer resposta  errada  ou  um  olhar  distraído  provocava  uma explosão. Ficou esperando que Jesus pegasse uma velha versão da Bíblia.
Em  vez  disso,  Jesus  estendeu  as  mãos  sobre  a  mesa  e segurou  as  de  Papai,  com  as  cicatrizes agora  claramente  visíveis. Mack  ficou  sentado,  em  extremo  fascínio,  vendo  Jesus  beijar  as mãos do Pai, depois olhar fundo nos seus olhos e finalmente dizer:
— Papai, adorei ver como hoje você se tornou completamente disponível para assumir a dor de Mack e deixar que ele escolhesse seu  próprio  ritmo.  Você  o  honrou  e  me  honrou.  Ouvir  você
sussurrar amor e calma no coração dele foi realmente incrível. Que alegria imensa ver isso! Adoro ser seu filho.
Embora  Mack  se  sentisse  um  intruso,  ninguém  pareceu  se preocupar e, de qualquer modo, ele não tinha idéia de para onde ir. Presenciara expressão de tamanho amor parecia
deslocar qualquer  entrave  lógico  e,  ainda  que  ele  não  soubesse exatamente o que sentia, era muito bom.
Estava  testemunhando  algo  simples,  caloroso,  íntimo  e verdadeiro. Isso era sagrado. A santidade sempre fora um conceito frio e estéril para Mack, mas isso era diferente. Preocupado em não fazer qualquer gesto que perturbasse aquele momento,
simplesmente  fechou  os  olhos  e cruzou  as  mãos.  Ouvindo atentamente  de  olhos  fechados,  sentiu  Jesus  mexer  a  cadeira. Houve uma pausa antes que ele falasse de novo:
—  Sarayu  —  começou  Jesus  com  suavidade  e  ternura  —, você lava, eu enxugo.
Os olhos de Mack se abriram rapidamente, a tempo de ver os dois sorrirem afetuosamente um para o outro, pegarem os pratos e desaparecerem  na  cozinha.  Ficou  sentado  alguns  minutos sem saber  o  que  fazer. Papai  tinha  ido  a  algum  lugar  e  os  outros dois estavam ocupados com os pratos. A decisão foi fácil. Pegou os talheres  e  os  copos  e  levou-os  para  a  cozinha.  Assim  que entrou, Jesus lhe jogou um pano e, enquanto Sarayu lavava os pratos, os dois começaram a enxugar.
Sarayu  começou  a  cantarolar  uma  música  evocativa  que  ele havia  escutado  Papai cantar.  Mais  uma  vez  a  melodia  mexeu  no fundo  de  Mack,  despertando  lembranças  e emoções.  Se  pudesse permanecer  ouvindo  aquela  canção,  aceitaria  ficar  enxugando os pratos pelo resto da vida.
Cerca de 10 minutos depois haviam acabado. Jesus deu um beijo  no  rosto  de  Sarayu  e ela  desapareceu  no  corredor.  Em seguida ele sorriu para Mack"

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